Choque elétrico na recarga de veículo elétrico: como a instalação protege você
O carro elétrico fica ligado à energia durante horas, na garagem, às vezes na chuva, com crianças e animais por perto. O carregador entrega corrente alta. Nessas condições, a proteção contra choque deixa de ser detalhe e passa a ser o centro do projeto.
Como o choque acontece
Em condições normais, a corrente que sai do carregador volta por ele mesmo. Se o isolamento de um cabo ou do próprio equipamento falha, parte dessa corrente passa a procurar outro caminho para a terra. Sem fio terra, o caminho pode ser a pessoa que encosta na carcaça do carro ou do carregador.
As duas proteções que trabalham juntas
- Aterramento. Dá à corrente de fuga um caminho fácil, que não passa pelo corpo. Também mantém a carcaça em potencial seguro.
- DR (dispositivo diferencial residual). Mede a diferença entre a corrente que vai e a que volta. Se passa do limite, abre o circuito em frações de segundo.
A norma ABNT NBR 17019 pede proteção por DR com sensibilidade de até 30 mA em cada ponto de recarga. Esse é o patamar usado para proteção de pessoas contra choque.
O detalhe que muita instalação erra: o tipo do DR
Existem tipos diferentes de DR, e a diferença importa em carregador. Carregadores de veículos podem produzir uma pequena corrente contínua de fuga, que "cega" o DR comum e faz ele não desligar quando deveria. Por isso, a norma de recarga trabalha com duas soluções: DR tipo B, ou DR tipo A combinado com um dispositivo que detecta corrente contínua de fuga a partir de 6 mA. O DR do tipo AC, comum em instalações antigas, não é adequado para esse uso.
Em muitos carregadores, a detecção de corrente contínua já vem integrada ao equipamento. O manual do fabricante diz qual é o caso, e o projeto confere isso antes da compra do DR.
Outros pontos que fazem diferença
- Nada de extensão ou adaptador entre a tomada e o carro. É um dos maiores causadores de superaquecimento.
- Aterramento medido, não presumido. Em prédio antigo, o fio terra pode estar degradado ou ausente.
- Carregador com grau de proteção adequado ao local: chuva, respingos, poeira.
- Cabo do carregador sem emendas ou danos. Cabo amassado ou descascado sai de uso.
- Teste periódico do DR, pelo botão de teste, conforme o fabricante do dispositivo.
Se o carregador "dá choquinho" ao encostar no carro, ou o DR desarma toda vez que carrega, pare de usar. Isso é sinal de fuga e precisa de avaliação antes de qualquer nova recarga.
Quando chamar uma equipe técnica
Antes da instalação, para projetar o circuito, e depois, se houver sintoma: choque ao tocar, DR desarmando, cheiro de queimado, disjuntor aquecido ou carregador que desliga no meio da carga. Em instalações antigas, vale uma verificação de aterramento e do quadro antes de instalar qualquer carregador.
Veja como a IM Solar atua em projetos de recarga de veículos elétricos: estudo de carga, projeto, ART e acompanhamento da instalação.
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Este artigo é informativo e não substitui a avaliação de um engenheiro eletricista. Valores usados em exemplos são ilustrativos e variam com a tarifa, o local e o sistema. Regras e normas podem mudar; confirme sempre a regulamentação vigente.
