Ponto quente em placa solar (hot spot): o risco de incêndio que passa despercebido
Um módulo com ponto quente costuma continuar gerando. O inversor não desliga, o aplicativo mostra geração, e ninguém desconfia. Enquanto isso, uma parte pequena do módulo esquenta mais do que deveria.
O que é um hot spot
Em um módulo, as células ficam ligadas em série. Quando uma célula fica sombreada ou danificada, ela deixa de produzir, mas a corrente das outras continua passando por ela. A célula fraca passa a dissipar em calor a energia das vizinhas. Em um exemplo de cálculo publicado, essa potência dissipada fica na casa de 80 W concentrada em uma região pequena. Em uma medição citada na mesma fonte, uma área pequena chegou a 110,5 °C.
O que protege o módulo, e onde falha
Os módulos têm diodos de bypass, em geral três, cada um cobrindo cerca de um terço do módulo. Quando há sombra, o diodo desvia a corrente e protege as células. Mas há limites:
- Sombras pequenas podem não ativar o diodo e ainda assim gerar ponto quente.
- Um diodo defeituoso não protege nada. Um relatório recente da Intertek CEA, divulgado em publicação do setor em julho de 2026, alerta que um diodo de bypass ausente ou desconectado de fábrica passa despercebido: o módulo funciona normalmente sob sol sem sombra e o defeito só aparece quando uma sombra real incide sobre ele. Nesse caso, as células afetadas precisam dissipar a potência da string inteira, com risco de derreter junções, comprometer a folha traseira e, no limite, causar um evento térmico ou incêndio.
- Microfissuras também geram aquecimento localizado.
O risco de incêndio é real?
É raro, e vale dizer isso com honestidade. Em um levantamento citado em material técnico, na Alemanha apenas 0,016% das cerca de 1,3 milhão de instalações tiveram falhas que resultaram em incêndio. O que muda a conta é o tamanho do estrago quando acontece: um incêndio no telhado envolve o imóvel, o seguro e a segurança de quem mora ou trabalha ali. A inspeção custa uma fração disso.
Como achar um hot spot
A termografia infravermelha mostra as diferenças de temperatura sem desligar o sistema. Ela identifica pontos quentes, células danificadas, problemas em diodos de bypass, conectores aquecidos e strings desbalanceadas. A norma IEC 62446-3 traz diretrizes para a execução e a classificação das anomalias.
Um detalhe importante: para o problema do diodo ausente, a termografia com céu limpo e módulo sem sombra mostra tudo normal. O relatório da Intertek recomenda fazer a termografia com sombreamento controlado, para ativar os diodos durante a inspeção.
Sinais visíveis
- Mancha escurecida ou amarelada em uma célula
- Marca de queimado ou bolha na folha traseira
- Vidro trincado sobre uma célula
- Queda de geração em uma única string
Não abra o inversor, não desconecte conectores e não suba no telhado com o sistema ligado. O lado CC fica energizado sempre que há luz, mesmo com o disjuntor da casa desligado.
O que fazemos
Inspecionamos o sistema com termografia, medimos a curva IV de cada string, localizamos os módulos com anomalia e entregamos um relatório com fotos térmicas, a gravidade de cada ponto e o orçamento da correção.
Veja como é o diagnóstico de sistemas solares da IM Solar: inspeção, termografia, curva IV, medição de isolamento e relatório por escrito.
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Este artigo é informativo e não substitui a avaliação de um engenheiro eletricista. Valores usados em exemplos são ilustrativos e variam com a tarifa, o local e o sistema. Regras e normas podem mudar; confirme sempre a regulamentação vigente.
